por Alexandre de Queiroz Borges
Meus caros, cá estou mais uma vez, infelizmente, para tratar da violência que tem tomado de forma assustadora a cidade de Patos de Minas. A última vítima foi o repórter da NTV, Edvar Santos. O que é inadmissível, assim como qualquer outro ato de violência. Mas esse caso me parece emblemático. Não se trata de uma simples agressão a um cidadão de bem, mas violência contra uma instituição de essencial importância para a sociedade, a imprensa! Vejo esse evento como o ápice da crise social patense.
Entenda o caso: http://www.patoshoje.com.br/noticias/patos-de-minas/13109-duas-pessoas-ficam-feridas-apos-tiroteio-em-bar-na-avenida-paranaiba.html
Tenho sempre a preocupação de indagar aqueles que realmente entendem e conhecem a fundo, ou ao menos deveriam, os assuntos que me causam indignação. Busquei me informar com algumas autoridades policiais e nenhuma delas soube dar uma explicação que realmente me respaldasse ao debater o tema. Apenas disseram que a violência é uma realidade nacional e não se trata de uma particularidade local. Bom, até aí nada difícil de perceber, basta ligar a TV, o rádio ou ler o periódicos. Mas especificamente no caso patense, o que fomenta tal violência? O tráfico de drogas?
Bom, o dito “crime organizado” tem sido brilhantemente combatido pelas polícias civil e militar na região de Patos, quadrilhas têm sido desarticuladas constantemente, traficantes presos quase que mensalmente e apreensões são feitas com a mesma frequência. No entanto, novas quadrilhas sempre estão surgindo ou se instalando na cidade, será que o problema realmente é apenas de competência da polícia?
Como foi dito em minha última publicação, “O que queremos ser?”, a população está carente de reais oportunidades educacionais e profissionais. Assim, não há progresso e o quadro que se apresenta é o seguinte, adultos sem qualificação e sem emprego, autoestima comprometida, família desestruturada, crianças crescendo em ambiente inadequado para o seu desenvolvimento, jovens sem referência familiar, uso de drogas, adultos sem qualificação e sem emprego... E assim chegamos a um ciclo sem fim.
Existe alguma forma de frear um processo de degeneração social como esse, apenas com repressão policial? As drogas e as bocas de fumo estão substituindo os salgadinhos Xebec e o Guaraná Ártemis que as crianças compravam na venda da esquina. E as famílias assistem passivas a isso, até mesmo fazem parte desse universo, mas como cobrar uma atitude diferente destes pais que viveram o mesmo que seus filho? Difícil!
O exemplo de sucesso para os jovens da periferia é o traficante, aquele que anda em uma bela moto, tem as garotas do bairro a seus pés e é respeitado por todos. Não a professora que estudou em uma universidade por quatro anos, trabalha em três períodos, ganha uma ninharia e mal consegue ter um meio de condução.
O fato é que, o foco de nossos governantes deve voltar-se para a população carente e não as políticas que beneficiam a pseudo “alta sociedade” patense. Enquanto os habitantes da periferia não forem vistos com carinho pelos governantes, Patos será refém da violência e não conseguirá desenvolvimento econômico. Se o que importa é voto, cabe aos líderes políticos da cidade tratar bem os pobres, só eles podem eleger um deputado com folga. Citando Sócrates, “Se o desonesto soubesse a vantagem de ser honesto, ele seria honesto ao menos por desonestidade.”
E aos cidadãos que ainda não conhecem esse universo, tirem um dia de suas vidas para passear de carro pela cidade, mas seguindo um novo roteiro. Nada de Sideral, Marista, CNSG, Enjoy, La Luna, Dom Taliani e imediações... Vamos a praça do Cristavo, a Vila Operária, entorno do CAIC... Patos é grande! Tem um “lixinho” que foi jogado pra fora do tapete persa que alguns acreditam estar pisando, mas esse "lixinho" se tornou uma mancha de sangue. Quando der, olhe pra pessoa ao seu lado e se esqueça por um minuto da bota que vai usar na Fenamilho 2012. Faça sua parte
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